Não vou me calar enquanto tentam apagar nossa história”, diz delegada sobre eleição de Erica Hilton
Raquel Gallinati critica substituição do termo “mulher” e defende espaço histórico feminino na Comissão da Mulher da Câmara
Foto: Reprodução
A delegada Raquel Gallinati publicou um vídeo nas redes sociais comentando a eleição da deputada federal Erica Hilton para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. Na gravação, Gallinati afirma que refletiu antes de se pronunciar e disse falar “não como delegada de polícia, mas como mulher”.
Segundo ela, a decisão de gravar o vídeo ocorreu após tomar conhecimento da eleição da parlamentar para o colegiado responsável por discutir políticas voltadas às mulheres no Legislativo federal. Gallinati afirmou que, apesar de sempre defender publicamente o que considera correto, desta vez sentiu receio diante da repercussão que o tema poderia gerar.
No vídeo, a delegada diz que teme uma “inversão do debate”, na qual, segundo ela, defender espaços historicamente conquistados por mulheres do sexo feminino possa ser interpretado como algo condenável. Gallinati também citou uma frase atribuída à deputada durante debates públicos, “pessoas que gestam”, afirmando que o uso de termos alternativos ao conceito tradicional de mulher provoca, em sua visão, estranhamento.
"Pessoas que gestam, goste a senhora ou não? Foi com essa frase que a deputada federal Erica Hilton marcou a sua postura. O sentimento é um só, é o de estranheza de ver o termo mulher ser substituído por abstrações", declarou a delegada.
A delegada ainda questionou se uma eventual comissão dedicada exclusivamente a direitos de pessoas trans aceitaria ser presidida por alguém que não fosse trans. “Então por que o contrário nos é imposto?”, perguntou. Para Gallinati, crimes como feminicídio e situações de violência obstétrica estão ligados ao corpo de quem nasce mulher, argumento usado por ela para defender a manutenção do que chama de identidade feminina.
"O feminicídio e a violência obstétrica atingem o corpo de quem nasce mulher. Diluir nossa identidade em categorias biológicas fragmentadas não é inclusão, é apagamento", completou.
Ao final da manifestação, Gallinati afirmou que não considera intolerância defender esses espaços. “Defender o nosso espaço histórico não é intolerância, é honestidade intelectual”, disse. “E eu decidi que não vou me calar enquanto tentam apagar a nossa história diante dos nossos olhos, goste a deputada Erica ou não.”
Fonte: folhadoestado