Juros altos provocam disparada de 41% nos distratos de imóveis na planta
Levantamento da Abrainc/Fipe aponta 5.763 contratos cancelados no primeiro trimestre de 2026; financiamento mais caro compromete planejamento de famílias
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O número de distratos de apartamentos adquiridos na planta aumentou 41,4% no Brasil durante o primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o Indicador Abrainc/Fipe, 5.763 contratos foram cancelados nos três primeiros meses deste ano, evidenciando as dificuldades enfrentadas por compradores para concluir a aquisição de um imóvel.
Os dados mostram que, para cada 100 imóveis comercializados, aproximadamente 11 negociações acabam desfeitas. O principal fator apontado para o aumento dos cancelamentos é o encarecimento do financiamento imobiliário, que tem elevado o custo da compra e comprometido o orçamento de famílias que adquiriram unidades durante a fase de construção.
Muitos compradores fecharam contratos quando as taxas de juros estavam abaixo de 9% ao ano, considerando prestações compatíveis com a renda familiar. Entretanto, com a aproximação da entrega das chaves, encontraram condições de financiamento mais caras, com taxas que variam entre 10,5% e 14%.
A mudança nas condições de crédito elevou o valor das parcelas e tornou inviável a continuidade de parte dos contratos. Em muitos casos, famílias que planejaram a compra durante anos passaram a enfrentar dificuldades para obter financiamento ou assumir as prestações previstas na etapa final da aquisição.
O cenário evidencia um problema que vai além dos consumidores que pretendem entrar no mercado imobiliário. O crédito mais caro também atinge compradores que já haviam assumido compromissos financeiros e organizado o orçamento para receber o imóvel.
Com o aumento das prestações, parte dos adquirentes acaba obrigada a desistir do negócio antes da conclusão da compra. O movimento representa um desafio para construtoras e incorporadoras, que precisam lidar com o cancelamento de contratos e a recolocação das unidades no mercado.
O avanço dos distratos também acende um alerta para o setor imobiliário, uma vez que a elevação dos juros pode comprometer a capacidade de compra das famílias e dificultar a comercialização de imóveis, especialmente entre consumidores que dependem de financiamento bancário para concluir a aquisição da casa própria.
Fonte: folhadoestado