Reeleição de Lula provoca disparada do dólar e ameaça maior alta diária desde 1999

Moeda americana chegou a subir cerca de 12% durante a abertura do mercado, enquanto Bolsa brasileira registrou forte queda e acionou mecanismo de interrupção das negociações

Reeleição de Lula provoca disparada do dólar e ameaça maior alta diária desde 1999

Foto: Reprodução

A alta do dólar após a reeleição de Lula já começou a se refletir no mercado financeiro nesta segunda-feira (26). Na abertura do primeiro pregão após o resultado eleitoral, a moeda norte-americana chegou a superar R$ 5,60, com valorização intradiária de aproximadamente 12% em relação ao fechamento de sexta-feira (24). O movimento reacendeu a possibilidade de a moeda registrar a

Na madrugada, contratos futuros negociados em Chicago indicaram uma desvalorização de aproximadamente 10% do real frente ao dólar. Por volta das 3h40, o contrato com vencimento em novembro recuava 10,09%, movimento que apontava para uma cotação próxima de R$ 5,56. Durante a manhã, porém, o câmbio apresentou oscilações, em meio aos ajustes dos investidores após a confirmação da vitória do petista.

O tamanho da alta chamou atenção pela comparação com janeiro de 1999, quando o dólar avançou 11,1% em um único dia, durante a crise cambial que levou o Brasil a abandonar o regime de bandas cambiais e adotar o câmbio flutuante. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta publicado pela Forbes, aquela continua sendo a maior valorização diária da série histórica utilizada no estudo. A comparação com a movimentação desta segunda-feira exige cautela, porque a alta de aproximadamente 12% registrada na abertura foi intradiária, e não necessariamente corresponde ao resultado do fechamento.

A reação do mercado também atingiu a Bolsa de Valores brasileira. O Ibovespa caiu 10% e acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos. Os juros futuros também subiram, refletindo a revisão das expectativas dos investidores para a economia brasileira.

Parte da movimentação está relacionada às expectativas que antecederam a eleição. Investidores haviam montado posições considerando a possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com a reeleição de Lula, essas apostas passaram por uma revisão, provocando vendas de ativos brasileiros e uma busca por proteção cambial.

As preocupações com a  política fiscal também estão no centro das avaliações. Investidores acompanham a trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a capacidade do governo de apresentar medidas que garantam previsibilidade às contas públicas. A definição da equipe econômica e os primeiros sinais sobre as prioridades do novo mandato devem influenciar o comportamento dos mercados nos próximos dias.

Apesar da forte reação inicial, a valorização do dólar não determina, por si só, uma tendência permanente. O comportamento da moeda dependerá também do cenário internacional, dos preços das commodities, do diferencial entre os juros brasileiros e americanos e das decisões econômicas do governo. A cotação no encerramento do pregão será fundamental para verificar se a alta desta segunda-feira entrará para a série histórica das maiores valorizações diárias da moeda americana no Brasil.

Fonte: folhadoestado

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