Aluguel residencial sobe quase o dobro da inflação e pesa no orçamento das famílias
FipeZap aponta alta de 9,13% em 12 meses até setembro; Fortaleza lidera valorização, enquanto São Paulo tem o metro quadrado mais caro entre as capitais
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O custo do aluguel residencial no Brasil avançou 9,13% nos 12 meses encerrados em setembro, praticamente o dobro da inflação registrada no mesmo período, de 4,58%. Os dados são do Índice FipeZap, que acompanha os preços anunciados de locação de imóveis em diferentes cidades brasileiras.
A alta mostra a pressão crescente sobre o orçamento das famílias que dependem do aluguel para morar. Das 36 cidades monitoradas pelo levantamento, 31 registraram aumento nos valores em setembro, indicando que o encarecimento dos imóveis para locação continua disseminado pelo país.
Fortaleza (CE) apresentou a maior valorização acumulada em 12 meses, com alta de 16,59%. Já São Paulo manteve o metro quadrado mais caro entre as capitais, com preço médio anunciado de R$ 65,78. No mercado de venda, os imóveis residenciais registraram valorização de 5,51% no mesmo intervalo.
Apesar do avanço acumulado, os dados apontam uma desaceleração no ritmo mensal dos reajustes. Em abril, a alta dos aluguéis chegou a 1,04%, enquanto em setembro ficou em 0,52%.
O movimento pode indicar uma redução na velocidade de valorização dos imóveis para locação, embora os preços continuem em patamares elevados para boa parte dos consumidores.
Outro ponto importante é que o FipeZap acompanha os valores anunciados em novos contratos e não representa automaticamente os reajustes aplicados a todos os inquilinos. Quem já possui contrato em andamento segue as condições estabelecidas, incluindo o índice de correção previsto no documento.
Nesse cenário, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), tradicionalmente utilizado em contratos de aluguel, acumulou alta de 3,34% no período considerado.
A pressão sobre os preços também está relacionada às dificuldades de acesso ao financiamento imobiliário. Com os juros elevados e o crédito mais caro, parte das famílias adia a compra da casa própria e permanece no mercado de locação.
Esse movimento mantém a procura por imóveis alugados e contribui para sustentar os preços, especialmente nos mercados com maior demanda.
A desaceleração registrada nos últimos meses, por outro lado, pode sinalizar limites na capacidade de pagamento dos inquilinos. Mesmo com aumentos menos intensos, o aluguel continua avançando acima da inflação, comprometendo uma parcela significativa da renda familiar.
O cenário coloca o mercado imobiliário diante de um desafio: conciliar a valorização dos imóveis com a capacidade financeira de quem depende da locação para garantir moradia.
Fonte: folhadoestado