Greve no Frigorífico Redentor expõe denúncias de atrasos salariais, FGTS e problemas com empréstimos consignados

Trabalhadores paralisaram atividades para cobrar direitos trabalhistas; após mobilização, pagamentos começaram a ser realizados. Empresa teria retomado os abates normalmente.

Uma paralisação de trabalhadores do Frigorífico Redentor trouxe à tona uma série de denúncias envolvendo atrasos no pagamento de benefícios, férias vencidas, depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), verbas rescisórias e problemas relacionados a empréstimos consignados.

A equipe de reportagem do Voz do Nortão esteve na portaria da unidade para buscar esclarecimentos sobre a situação, mas foi impedida de entrar por um segurança. Após contato com representantes internos, a informação repassada foi de que nenhum responsável pelo Frigorífico Redentor ou pela empresa Ramax estaria autorizado a conceder entrevistas sobre o assunto naquele momento.

Ainda na recepção, a equipe recebeu a informação de que o impasse havia sido resolvido, a paralisação encerrada e os funcionários já tinham retornado às atividades, com a retomada dos abates.

Advogado denuncia problemas trabalhistas que se arrastam há anos

Em manifestação publicada nas redes sociais, o advogado José Evandro apresentou detalhes das reivindicações dos trabalhadores e afirmou que os problemas enfrentados pelos funcionários não são recentes.

Segundo ele, há um histórico de acordos que não teriam sido cumpridos, além de promessas de regularização de pagamentos que não se concretizaram.

Entre as principais reclamações está o atraso no vale-alimentação. Conforme o advogado, o benefício, que anteriormente era pago junto com o salário, passou a ser disponibilizado no dia 15 de cada mês, sob a justificativa de adequação do fluxo de caixa. Entretanto, mesmo após a mudança, os atrasos teriam continuado.

José Evandro também afirmou que, desde o ano passado, mais de 500 rescisões contratuais teriam ocorrido sem a devida quitação das verbas trabalhistas. Outra denúncia envolve centenas de funcionários que estariam há mais de dois anos sem usufruir férias, acumulando dois ou mais períodos vencidos.

O advogado ainda apontou supostas irregularidades nos depósitos do FGTS, que, segundo ele, estariam atrasados há anos.

Movimentações financeiras levantam questionamentos

Durante sua manifestação, José Evandro também questionou a justificativa de dificuldades financeiras apresentada pelo frigorífico para explicar os atrasos.

De acordo com o advogado, após solicitar informações à Ramax, ele teria recebido comprovantes de transferências realizadas ao Frigorífico Redentor durante o mês de outubro.

Entre os valores mencionados estão uma transferência de R$ 2.049.000,00, realizada em 5 de outubro, e outra de R$ 999 mil, no dia 7, totalizando mais de R$ 3 milhões.

Ainda conforme as informações que o advogado atribui à Ramax, o frigorífico teria capacidade de faturar aproximadamente R$ 6,6 milhões com miúdos e subprodutos.

Os números foram apresentados pelo advogado para questionar os atrasos nas obrigações trabalhistas. A reportagem, entretanto, não teve acesso à documentação necessária para confirmar de forma independente os valores e a natureza dessas movimentações.

Empréstimos consignados também motivaram reclamações

Outro ponto que gerou indignação entre os funcionários foi a situação dos empréstimos consignados.

Segundo o advogado, trabalhadores relataram que parcelas já descontadas de seus salários não estariam sendo devidamente repassadas às instituições financeiras.

Além disso, alguns funcionários identificaram novos descontos diretamente em suas contas bancárias, o que teria provocado uma cobrança em duplicidade.

Diante das reclamações, os trabalhadores se reuniram para discutir a situação. Durante o encontro, funcionários de diferentes setores, inclusive da área de abate, tiveram a oportunidade de relatar os problemas enfrentados.

As manifestações envolveram questões relacionadas aos consignados, FGTS, férias, vale-alimentação e pagamentos rescisórios.

Em um dos momentos da reunião, um trabalhador identificado como Alessandro fez um pronunciamento cobrando respeito e valorização dos profissionais.

Trabalhadores decidiram pela paralisação

Após a reunião e diante das reivindicações apresentadas, a maioria dos trabalhadores presentes decidiu pela deflagração da greve, conforme relato do advogado.

A decisão foi comunicada aos gerentes que acompanhavam a mobilização.

Segundo José Evandro, depois que a paralisação foi iniciada, começaram a ser identificados pagamentos nas contas de funcionários, incluindo valores relacionados a pendências antigas de trabalhadores que já haviam deixado a empresa.

O advogado afirmou ainda que recebeu comprovantes indicando a regularização dos repasses referentes aos empréstimos consignados.

Entretanto, ressaltou que ainda seria necessário verificar individualmente a situação de cada trabalhador para confirmar se todas as pendências haviam sido efetivamente resolvidas.

Quanto aos descontos em duplicidade, a explicação recebida pelo advogado foi de que teria ocorrido um erro envolvendo o Banco do Brasil, com previsão de devolução dos valores afetados. A informação também depende de confirmação junto à instituição financeira.

Impasse teria sido resolvido e atividades retomadas

Durante a visita da equipe do Voz do Nortão ao frigorífico, a informação recebida na recepção foi de que a paralisação já havia terminado e que os funcionários estavam trabalhando normalmente.

Apesar disso, ainda não foi possível confirmar se todas as reivindicações dos trabalhadores foram atendidas ou se houve um acordo definitivo para regularização das pendências relatadas.

O episódio também reacendeu o debate sobre o cumprimento das obrigações trabalhistas e os impactos que atrasos salariais e de benefícios podem provocar na vida de centenas de famílias que dependem da atividade frigorífica.

Em sua manifestação, José Evandro destacou que a mobilização não se limitava à cobrança de valores financeiros, mas também envolvia o respeito aos profissionais responsáveis pela produção.

“Não é só dinheiro, é dignidade”, declarou o advogado ao defender os direitos dos trabalhadores.

A reportagem tentou obter esclarecimentos junto à unidade industrial, mas não conseguiu entrevistar representantes autorizados a falar sobre o caso. Até o fechamento desta matéria, também não havia obtido retorno das tentativas de contato com o advogado do sindicato.

O Voz do Nortão e Folha FM mantém o espaço aberto para manifestações oficiais do Frigorífico Redentor, da Ramax, das instituições financeiras envolvidas e dos representantes dos trabalhadores.

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