Filha de empresária assassinada pelo marido critica uso de dinheiro público em tratamento vip a feminicida

Caroline Fernandes aponta contradições em tese de surto psicótico e questiona gastos de mais de R$ 200 mil do Estado

Filha de empresária assassinada pelo marido critica uso de dinheiro público em tratamento vip a feminicida

Foto: Reprodução

A biomédica Caroline Fernandes, filha da empresária Gleici Keli Geraldo, morta a facadas pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Frasson, usou as redes sociais para desabafar contra o uso de recursos públicos no custeio do tratamento psiquiátrico do acusado, que está internado em uma unidade de saúde em Cuiabá.

"Dinheiro de cofre público sendo usado para bancar colônia de férias de criminoso é, no mínimo, piada de mau gosto. Mais de R$ 200.000,00 do Estado gastos com tratamento de alguém com uma esquizofrenia tanto quanto seletiva?", escreveu em suas redes sociais.

O desabafo ocorre logo após a divulgação de trechos de gravações de câmeras de segurança da residência onde o crime foi cometido, em Lucas do Rio Verde (a 330 quilômetros de Cuiabá). Gleici tinha 42 anos e foi assassinada com 21 golpes de faca enquanto dormia, em 24 de junho de 2025. Na mesma ocasião, a filha do casal, com 7 anos na época, também foi alvo da violência e sofreu oito facadas, mas sobreviveu após atendimento médico.

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Nas postagens, Caroline questionou a linha de defesa que atribui o feminicídio a um suposto surto psiquiátrico, detalhando ações registradas pelo circuito interno que, segundo ela, evidenciam planejamento. Conforme apontado pela biomédica, o agressor "confere o corredor para ver se as vítimas seguem dormindo; escolhe a arma do crime; lembra da existência de uma câmera de segurança e mexe nela na tentativa de desligá-la; anda em círculos tomando coragem".

A filha da vítima também relatou a dinâmica do ataque à meia-irmã. "Senta na cama, acorda-a, pede desculpas, abraça e desfere 4 facadas nas costas e outras 4 no peito. E em seguida vai direto onde deixou o telefone, desbloqueia e manda mensagem para o irmão".

Diante dos custos da internação, Caroline defendeu que, na ausência de vagas em hospitais públicos, o réu seja tratado no sistema prisional. "Se no hospital público não há vagas, resta 1 alternativa: trate no presídio assim como todos os outros detentos. Ou esse é especial?".

A atuação da assistência jurídica da família, conduzida pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, reforça que os registros visuais afastam a tese de insanidade mental momentânea e apontam discussões financeiras anteriores, além de indícios de que o agrônomo já havia ameaçado matar a esposa e a enteada dias antes.

O estado mental de Daniel Frasson permanece sob disputa judicial: após a anulação do primeiro laudo, uma nova junta pericial composta por três profissionais foi designada para reavaliar o caso, cabendo exclusivamente à Justiça a decisão final.

Relembre o caso

A empresária Gleici Keli, de 42 anos, foi assassinada com 16 facadas pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Frasson, na manhã do dia 24 de julho de 2025, em Lucas do Rio Verde.

Após matar a esposa, o assassino atacou a própria filha, de sete anos, com oito facadas. Ela foi socorrida em estado grave e teve que ser transferida para um hospital de Cuiabá, onde passou 22 dias internada na UTI.

Após atacar as vítimas, Daniel deu uma facada no próprio abdômen, em uma suposta tentativa de suicídio. Ele foi socorrido, passou por cirurgia e foi preso após receber alta médica.

Nas redes sociais, Caroline Fernandes, que agora detém a guarda da irmã, disse que a criança ficou com sequelas tanto físicas quanto psicológicas.

Laudo

O laudo que atestou a inimputabilidade de Daniel Frasson é um documento que determina a incapacidade legal de receber uma pena criminal convencional devido a uma doença mental.

Significa que os peritos entenderam que o feminicida não conseguia compreender que estava cometendo um crime enquanto esfaqueava a esposa e a filha, ou não conseguia se determinar de acordo com esse entendimento.

A inimputabilidade o isenta da pena de prisão e o submete a medidas de segurança, como tratamento psiquiátrico e internação.

Fonte: Repórter MT 

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