"Bomba atômica" e "silêncio": crise no STF ganha destaque na imprensa internacional
Jornais estrangeiros repercutem embate entre ministros do STF, caso Banco Master e pedido de investigação apresentado por Alexandre de Moraes contra André Mendonça
Foto: Yasmin/Folha do Estado
A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou repercussão na imprensa internacional. Veículos da Argentina, Espanha e dos Estados Unidos destacaram o embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além dos desdobramentos envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O jornal argentino La Nación publicou uma reportagem com o título “A crise no Supremo Tribunal Federal se agrava, e Lula pede uma investigação transparente”. O veículo destacou a manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que defendeu uma apuração das acusações sem proteção a qualquer dos envolvidos.
“Em um novo capítulo da crise, Moraes pediu na quinta-feira que a Suprema Corte investigue Mendonça”, afirmou o jornal argentino.
A crise envolve um relatório de inteligência da Polícia Federal que teria identificado trocas de mensagens e ao menos seis encontros entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
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O relatório foi tornado público após André Mendonça, relator de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, determinar a retirada do sigilo do documento e solicitar que o caso fosse analisado pelo plenário do Supremo.
Com o avanço do conflito, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a nulidade de atos praticados por Mendonça na condução das investigações.
Na sequência, Moraes apresentou um pedido para que o colega fosse investigado no âmbito do Inquérito das Fake News. O ministro afirmou haver “fortes indícios” de possíveis crimes, incluindo abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa na atuação de Mendonça.
A agência de notícias Associated Press também abordou a crise. A publicação lembrou que Moraes foi relator do processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe.
Segundo a agência, o ministro passou a estar “sob fogo cruzado” diante dos questionamentos relacionados à sua suposta proximidade com Daniel Vorcaro, apontado como proprietário do Banco Master, instituição envolvida em investigações sobre suspeitas de fraude financeira.
A agência espanhola EFE também destacou o conflito. Com o título “Um contra-ataque do ministro Moraes agrava a crise no Supremo Tribunal Federal”, a publicação classificou como uma aparente retaliação o pedido apresentado por Moraes contra Mendonça.
O jornal espanhol El País também abordou a crise e afirmou que os dois ministros travaram uma espécie de “luta silenciosa pelo poder” dentro do Supremo.
O veículo destacou ainda o silêncio de Moraes diante das revelações envolvendo o relatório da PF e classificou o episódio como uma “bomba atômica” em um momento politicamente sensível para o Brasil, às vésperas do primeiro turno das eleições.
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Em meio à escalada do conflito, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, assumiu a análise das acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça.
Fachin determinou que o ministro Alexandre de Moraes, André Mendonça, a PGR e a Polícia Federal prestem informações sobre o caso. O prazo estabelecido foi de cinco dias úteis.
A decisão colocou a Presidência do Supremo no centro da crise e abriu uma nova etapa para a análise das acusações entre os integrantes da própria Corte.
O episódio ocorre em meio a questionamentos sobre a condução das investigações, a divulgação de informações envolvendo autoridades e os limites da atuação dos ministros do STF.
A repercussão internacional amplia a dimensão do conflito, que deixou de ser apenas uma disputa interna no tribunal e passou a receber atenção de veículos estrangeiros interessados nos impactos institucionais e políticos da crise brasileira.
Fonte: folhadoestado