Plantonista de clínica em Cuiabá é denunciado por matar paciente com cinto após tortura
Ministério Público aponta homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual na morte de Alessandro Sidinei Braga, ocorrida em maio deste ano em unidade terapêutica
Foto: Reprodução
A 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá denunciou Odiley Rodrigues Souza pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual pela morte de Alessandro Sidinei Braga, paciente da Clínica Terapêutica Pró Vida, na Capital. A denúncia foi apresentada na segunda-feira (6) pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos.
GuiaCuiabá
O denunciado, que trabalhava como plantonista da unidade, está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE). Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o paciente teria sido submetido a uma sequência de agressões físicas antes de ser morto por estrangulamento.
Conforme a denúncia, Alessandro era dependente químico e possuía diagnóstico de esquizofrenia. Ele estava internado na clínica para tratamento e, segundo as investigações, pacientes com transtornos psiquiátricos e comportamento considerado mais agitado eram mantidos durante a noite em um cômodo chamado de “quartão”, cuja chave ficava sob responsabilidade dos plantonistas.
Paciente teria sido agredido e imobilizado
De acordo com o MPMT, durante a madrugada entre os dias 30 e 31 de maio de 2026, Alessandro apresentou um quadro de agitação, com gritos, batidas na porta do quarto e pedidos por medicação para dormir.
Após ser chamado por outros internos, o plantonista teria entrado no local para realizar a contenção do paciente. A denúncia aponta que Odiley teria utilizado violência física contra Alessandro, com tapas, chutes e manobras de estrangulamento.
Ainda segundo o Ministério Público, por volta das 3h, a vítima voltou a apresentar comportamento alterado e teria sido novamente contida pelo acusado, chegando a perder a consciência. Na sequência, Alessandro teria sido amarrado com os braços para trás usando uma corda e permanecido imobilizado durante a madrugada.
As agressões, conforme a denúncia, teriam sido presenciadas por outros pacientes que também exerciam funções de “monitores” dentro da clínica.
Morte teria ocorrido por estrangulamento
O Ministério Público afirma que, aproveitando-se da condição de vulnerabilidade da vítima, já imobilizada e sem possibilidade de reação, o plantonista teria utilizado um cinto para provocar o estrangulamento que causou a morte.
O laudo de necropsia apontou que Alessandro morreu em decorrência de estrangulamento, com lesão interna grave na região do pescoço.
Para a promotora Élide Manzini de Campos, o homicídio foi cometido por motivo fútil, relacionado ao comportamento alterado apresentado pela vítima durante a noite. A acusação também aponta as qualificadoras de emprego de asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
O denunciado ainda responde pelas agravantes de violação do dever inerente ao ofício e pelo fato de o crime ter sido cometido contra pessoa enferma. Os crimes foram enquadrados em concurso material e nas regras da Lei dos Crimes Hediondos.
Acusação aponta tentativa de simular suicídio
Na denúncia, o MPMT também relata que, na manhã seguinte à morte, o plantonista teria informado aos funcionários da clínica que encontrou Alessandro em uma situação semelhante a um suicídio por enforcamento.
Entretanto, segundo a investigação, a cena teria sido modificada para sustentar essa versão. O laudo pericial apontou que os vestígios encontrados no local não confirmavam a hipótese de suicídio e indicavam sinais de contenção física e alteração na disposição dos objetos.
Clínica tinha 60 irregularidades apontadas
Durante as investigações, o proprietário da Clínica Terapêutica Pró Vida foi intimado a apresentar documentos como livros de ocorrência, receitas médicas, escalas de funcionários, relação de pacientes e contratos dos profissionais responsáveis pelo atendimento.
Segundo a denúncia, os documentos não foram entregues.
Além disso, um relatório da Vigilância Sanitária identificou 60 irregularidades no estabelecimento. O documento apontou funcionamento em desacordo com normas sanitárias, deficiência no quadro de profissionais e condições consideradas inadequadas para garantir assistência e segurança aos pacientes.
Fonte: folhadoestado