Justiça investiga casal suspeito de furtar bilhete premiado de R$ 29 milhões da Mega-Sena em Sinop

Uma funcionária da lotérica, com apoio do marido, teria retirado do cofre um bilhete emitido com defeito que acabou sendo premiado.

Justiça investiga casal suspeito de furtar bilhete premiado de R$ 29 milhões da Mega-Sena em Sinop

Foto: Millena Sartori/g1

A Justiça de Mato Grosso apura o furto de um bilhete premiado da Mega-Sena, no valor de R$ 29 milhões, ocorrido em uma casa lotérica de Sinop(MT), em 2023. A defesa do casal apontado como autor do crime tentava levar o julgamento à Justiça Federal, no entanto, nesta segunda-feira (29), o ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou a transferência.

O prêmio de R$ 116.232.513,11 saiu em agosto de 2023 e foi dividido entre quatro ganhadores: dois de Sinop, que suspostamente teriam feito apostas iguais na mesma lotérica, um de Fortaleza (CE) e outro de Uberaba (MG). Cada um levou R$ 29.058.128,28.

Conforme os autos, no dia do sorteio, a funcionária da lotérica atendeu uma cliente e imprimiu um bilhete defeituoso. O jogo não cancelado foi levado para um cofre e passou a integrar o patrimônio da empresa, conforme as regras do estabelecimento.

À época, um novo bilhete com os mesmos números foi reimprimido e entregue à cliente, que acertou as dezenas premiadas. De acordo com o processo, após ver que a aposta ganhou, a funcionária retirou o bilhete com defeito do cofre e, no dia seguinte, pediu demissão junto com o marido afirmando que ele era um dos vencedores do prêmio. Toda a ação foi flagrada por câmeras de segurança da lotérica.

Ainda conforme o documento, a baixa probabilidade estatística de ter duas apostas vencedoras no mesmo local despertou a atenção dos proprietários do estabelecimento, que passou a apurar o caso e procurou a polícia.

"Um dos sócios da lotérica ligou para o casal para esclarecer a situação. [O marido da funcionária] atendeu o telefonema e, de forma ameaçadora, afirmou ser o dono legítimo do prêmio, ordenou o fim das investigações e declarou que sabia onde encontrar os proprietários caso houvesse problemas", diz trecho da denúncia.

Com o término das investigações, o Ministério Público ofereceu denúncia contra a funcionária e o marido dela pelo crime de furto qualificado por abuso de confiança.

A defesa alegava que o caso deveria ser julgado pela Justiça Federal, sob o argumento de que o prêmio seria pago pela Caixa Econômica Federal, o que caracterizaria interesse direto da União. Também pedia a suspensão da ação penal até a conclusão de uma ação cível que discute a propriedade do bilhete.

“O proveito econômico obtido indevidamente pelos réus decorre do exaurimento do crime, o que não converte a empresa pública federal em sujeito passivo do furto originalmente praticado”, diz trecho da decisão.

Ao rejeitar o recurso, o ministro entendeu que a suposta vítima do crime é a casa lotérica, empresa privada, e não a Caixa Econômica Federal. Segundo a decisão, o eventual saque do prêmio representa apenas uma consequência do furto, sem alterar a natureza do crime nem deslocar a competência para a Justiça Federal.

Com isso, o magistrado decidiu que a ação penal deve prosseguir regularmente para a investigação do furto qualificado, negando o recurso ordinário em habeas corpus .

Fonte: g1

 

 

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