Jovens denunciam cárcere privado e cobrança de multa de R$ 500 para deixar prostíbulo em Cuiabá
Duas mulheres de 19 anos afirmaram que foram impedidas de sair do estabelecimento e tiveram as malas retiradas por gerente; proprietária também foi conduzida pela PM
Foto: Reprodução
Duas jovens, ambas de 19 anos, denunciaram à Polícia Militar que foram mantidas contra a vontade dentro de um prostíbulo em Cuiabá. Segundo as vítimas, elas foram impedidas de deixar o estabelecimento, tiveram as malas retiradas e foram informadas de que precisariam pagar uma multa de R$ 500 para conseguir sair do local.
A ocorrência foi registrada na noite desta quinta-feira (10), depois que uma das jovens conseguiu acionar a Polícia Militar e pedir ajuda.
Conforme o relato apresentado aos policiais, as duas haviam sido contratadas pela proprietária do estabelecimento para realizar programas. A mulher teria custeado as despesas da viagem das jovens de Manaus até Cuiabá.
As vítimas afirmaram que já haviam comprado passagens para retornar a Manaus e se preparavam para deixar o local. Elas teriam solicitado um carro por aplicativo para seguir até a rodoviária, mas foram impedidas por um homem que se identificou como gerente da boate.
De acordo com as mulheres, o gerente teria utilizado força física para impedir que elas saíssem e retirado as malas que estavam em posse das vítimas.
Ainda segundo os relatos, o homem teria informado que cada uma deveria pagar uma multa de R$ 500 caso deixasse o estabelecimento. Outra cobrança, também de R$ 500, seria aplicada caso elas ultrapassassem determinado horário.
Uma das jovens relatou aos policiais que o gerente ficou ainda mais exaltado ao perceber que a Polícia Militar havia sido acionada. Segundo ela, o homem retirou sua mala de maneira brusca, provocando uma lesão na mão esquerda.
Durante o atendimento da ocorrência, o homem confirmou que trabalhava como gerente do estabelecimento, mas afirmou aos policiais que teria agido seguindo ordens da proprietária.
As jovens disseram ainda que eventuais dívidas que tinham com a dona do local já haviam sido quitadas. Segundo elas, entretanto, a proprietária aplicaria multas por diferentes motivos, fazendo com que permanecessem constantemente endividadas.
As vítimas também relataram que, por terem sido impedidas de deixar o estabelecimento no horário planejado, perderam o ônibus para Manaus. As duas já tinham comprado as passagens para retornar à cidade.
Diante dos relatos, o gerente e a proprietária foram encaminhados pela Polícia Militar para as providências cabíveis.
O homem foi algemado durante a condução porque, conforme registrado no boletim de ocorrência, estava bastante exaltado e havia preocupação com uma possível tentativa de fuga. A mulher foi encaminhada sem o uso de algemas.
Os dois foram apresentados às autoridades sem lesões corporais aparentes.
A ocorrência foi registrada como suspeita de injúria real, rufianismo praticado com violência ou grave ameaça, sequestro e cárcere privado, além de rufianismo.
A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias relatadas pelas jovens e apurar se houve restrição ilegal da liberdade, violência, cobrança indevida ou outras práticas criminosas no estabelecimento.
Os pertences dos dois conduzidos foram entregues ao advogado que acompanhava o registro da ocorrência, mediante autorização dos envolvidos.
Fonte: folhadoestado