Previsão de Bolsonaro de que o PT quebraria o país ultrapassa 10 milhões de visualizações

Resultado positivo registrado no último ano do governo Bolsonaro contrasta com déficit de R$ 55 bilhões nas contas públicas em 2025; números alimentam críticas de opositores ao governo Lula

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Foto: Reprodução

As contas públicas brasileiras voltaram ao centro do debate político após os resultados fiscais registrados em anos distintos dos governos Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto 2022, último ano da gestão Bolsonaro, terminou com resultado primário positivo nas contas do Governo Central, 2025, segundo ano completo do terceiro mandato de Lula, fechou com déficit de R$ 55,021 bilhões no setor público consolidado.

 

Os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central mostram que o setor público consolidado — formado por União, estados, municípios e empresas estatais — registrou déficit primário equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. O resultado representa piora em relação ao déficit de R$ 47,553 bilhões registrado em 2024.

 

No recorte do Governo Central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, o déficit de 2025 chegou a R$ 58,687 bilhões pelo critério utilizado pelo Banco Central. O Tesouro Nacional, por sua vez, apurou déficit de R$ 61,69 bilhões utilizando metodologia diferente.

 

O Tribunal de Contas da União (TCU) também apontou que o resultado efetivo do Governo Central em 2025 foi deficitário em R$ 58,7 bilhões. Para efeito de cumprimento da meta fiscal, porém, foram excluídos R$ 48,7 bilhões em despesas, fazendo com que o déficit considerado para a meta ficasse em aproximadamente R$ 10 bilhões.

 

Resultado de 2022

No último ano do governo Bolsonaro, o Governo Central apresentou resultado primário positivo. De acordo com o Tesouro Nacional, dezembro de 2022 terminou com superávit de R$ 4,4 bilhões, enquanto o resultado acumulado do ano também ficou positivo.

 

A comparação entre os dois períodos, entretanto, exige cuidado. O chamado resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida e não representa simplesmente o volume de dinheiro disponível no caixa do governo.

 

Ainda assim, os números passaram a ser utilizados por críticos do governo Lula para sustentar a avaliação de que a atual política fiscal estaria ampliando o desequilíbrio das contas públicas.

 

Pressão sobre as contas

Segundo dados oficiais, o resultado negativo de 2025 foi influenciado principalmente pelo crescimento das despesas obrigatórias, incluindo gastos com Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada (BPC). A arrecadação federal atingiu nível recorde, mas não foi suficiente para compensar o avanço das despesas. Em termos reais, a receita líquida cresceu 2,8%, enquanto as despesas avançaram 3,4%.

 

O TCU também alertou para os efeitos do resultado sobre a trajetória da dívida pública. Segundo o Tribunal, a relação entre a dívida bruta do governo geral e o PIB passou de 76,3% para 78,7% em 2025. O órgão avaliou que o resultado fiscal efetivo foi insuficiente para estabilizar o endividamento.

 

O governo Lula, por outro lado, afirma que a meta fiscal de 2025 foi cumprida dentro das regras estabelecidas, considerando as deduções previstas na legislação. O TCU reconheceu formalmente o cumprimento da meta, embora tenha feito ressalvas e alertado para riscos relacionados à sustentabilidade da dívida e à condução da política fiscal.

 

A diferença entre os resultados de 2022 e 2025, portanto, tornou-se mais um elemento da disputa política em torno das contas públicas. A afirmação de que o déficit de 2025 “confirma” que o PT quebraria o país, porém, é uma interpretação política, e não uma conclusão diretamente estabelecida pelos dados fiscais. Os números demonstram a existência de déficit e aumento da dívida, mas não permitem, isoladamente, atribuir uma conclusão definitiva sobre o futuro da economia brasileira.

Fonte: folhadoestado

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