Diesel domina vendas em Mato Grosso e movimenta 4,3 bilhões de litros em 2025
Consumo do combustível subiu 7,5% no estado, superando média nacional; etanol perde espaço para gasolina e novos reajustes de ICMS já pressionam preços em 2026
Foto: Redprodução
O óleo diesel consolidou sua posição como o combustível mais comercializado em Mato Grosso no ano de 2025, atingindo a marca de 4,3 bilhões de litros vendidos. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelam que o estado registrou uma alta de 7,5% no consumo do derivado, índice que representa mais que o dobro do crescimento médio nacional, que foi de 3,6%.
O desempenho do diesel reflete a dependência logística do estado em relação ao agronegócio e ao transporte de cargas. Em contrapartida, o etanol registrou queda de 2,6% nas vendas, somando 1 bilhão de litros, enquanto a gasolina tipo C cresceu 5,4%, com 643 milhões de litros comercializados no período.
Inversão no consumo: etanol vs. gasolina
A retração no consumo de etanol em Mato Grosso acompanha a tendência nacional de queda (-3,3%). Segundo o Sindipetróleo (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo), o comportamento do consumidor foi moldado pela competitividade de preços nas bombas e pela carga tributária, que favoreceu o uso da gasolina ao longo do último ano.
O alívio nos preços durou pouco. Desde o dia 1º de janeiro de 2026, entrou em vigor o reajuste da alíquota do ICMS, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). O aumento impacta diretamente a gasolina, o diesel e o biodiesel, com reflexos imediatos no bolso do consumidor.
A expectativa do Sindipetróleo é que o reajuste gere um acréscimo anual de R$ 281 milhões na arrecadação do Estado. Desse total, R$ 216 milhões serão extraídos das vendas de diesel e R$ 65 milhões da gasolina.
Efeito cascata nos alimentos
Para o presidente do Sindipetróleo, Claudyson Martins Alves, o "Kaká", a alta nos combustíveis deve encarecer o frete e, consequentemente, o preço dos alimentos nas próximas semanas. Ele ressalta que o setor varejista apenas repassa os valores definidos pelas distribuidoras e refinarias.
"Não é o posto que define o preço na bomba. O reajuste do ICMS tende a encarecer toda a cadeia, inclusive o etanol, que mesmo sem sofrer aumento direto do imposto, pode ter o custo de transporte elevado e repassado ao consumidor final", alerta o dirigente.
Fonte: Unica News