"Xerecard": denúncia de estupro contra motorista de app cai por terra após câmeras registrarem conversa

Gravações do veículo levaram à revogação da prisão em flagrante; Polícia Civil mantém investigação para esclarecer todos os fatos

Foto: Reprodução

Um motorista de aplicativo de 27 anos, preso em flagrante sob suspeita de estupro em Porto Velho (RO), foi colocado em liberdade após a apresentação de gravações feitas pelas câmeras instaladas em seu veículo. As imagens e os áudios, segundo a defesa, demonstram que a relação sexual com a passageira de 22 anos ocorreu de forma consensual, contrariando a versão inicialmente apresentada à polícia.

 

O caso começou no último fim de semana, quando a jovem procurou a Polícia Militar alegando que havia sido levada contra a própria vontade para um motel após o término de uma corrida por aplicativo.

 

Com base na denúncia, equipes do 9º Batalhão da Polícia Militar localizaram o motorista na manhã de domingo, em uma igreja no bairro Nova Porto Velho. Ele recebeu voz de prisão e foi encaminhado ao Departamento de Flagrantes.

 

A passageira passou por atendimento médico, realizou exame de corpo de delito e recebeu medicação preventiva. Sua identidade foi preservada pelas autoridades.

 

Durante o depoimento, o motorista admitiu que manteve relação sexual com a jovem, mas negou qualquer tipo de violência ou coação. Segundo ele, a situação teve início após a passageira informar que não possuía dinheiro suficiente para pagar a corrida.

 

De acordo com seu relato, a corrida custava R$ 40, mas a cliente informou que faltavam R$ 8 para completar o pagamento. O motorista afirmou que, diante da situação, a própria passageira sugeriu uma forma alternativa de quitar a dívida.

 

Segundo o condutor, após uma conversa, ambos seguiram voluntariamente para um motel, onde mantiveram relação sexual consensual. Ele ainda declarou que, ao final, sequer recebeu o restante do valor da corrida.

 

A principal reviravolta ocorreu quando a defesa apresentou à Polícia Civil os arquivos captados pelas câmeras internas do veículo. Conforme informado, os registros de áudio e vídeo documentam toda a conversa entre motorista e passageira, incluindo a negociação que antecedeu a ida ao motel.

 

Após a análise inicial do material, o motorista foi colocado em liberdade, enquanto a investigação passou a considerar as novas provas.

 

O advogado Jorge Amaral afirmou que o caso evidencia a importância do uso de câmeras por profissionais do transporte de passageiros, tanto para a segurança pessoal quanto para a produção de provas em eventuais investigações.

 

Segundo ele, caso fique comprovado que a denúncia foi falsa e feita de forma consciente, a passageira poderá responder pelo crime de denunciação caluniosa, previsto no artigo 339 do Código Penal. Além da esfera criminal, também poderá haver responsabilização civil por eventuais danos morais e prejuízos causados ao motorista.

 

Apesar da soltura do investigado, o inquérito continua em andamento na Polícia Civil de Rondônia. As autoridades ainda irão analisar as imagens das câmeras de segurança do motel, além de incorporar oficialmente as gravações do veículo ao conjunto probatório para esclarecer todos os detalhes do caso antes da conclusão das investigações.

Fonte: folhadoestado

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