Sinop é a 3ª cidade mais violenta do país em casos de estupro, segundo Anuário 2026
Mato Grosso registrou queda nos casos
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Sinop aparece como a terceira cidade brasileira com maior concentração de violência sexual entre municípios de mais de 100 mil habitantes. O município fica atrás apenas de Boa Vista (RR) e Ariquemes (RO), com taxa de 91,2 casos de estupro e estupro de vulnerável para cada 100 mil habitantes.
O dado é do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com base em registros de 2025.
Estado também recua, mas segue com índices altos
Mato Grosso acompanhou a tendência nacional de queda nos casos de violência sexual: foram 2.337 vítimas de estupro e estupro de vulnerável ao longo do ano, mesmo com a redução.
O estado registrou 670 casos de estupro, queda de 2,2% em relação a 2024. Já os casos de estupro de vulnerável caíram de 2.040 para 1.667 — recuo de 19,5%, bem acima da média nacional de 5,2%. Somando as duas modalidades, a taxa estadual ficou em 60 casos por 100 mil habitantes, ante 70,8 no ano anterior.
Apesar da queda geral em Mato Grosso, o desempenho isolado de Sinop chama atenção: a cidade permanece entre os piores índices do país, evidenciando que a redução estadual não se distribui de forma uniforme entre os municípios.
No país, foram contabilizadas 84.388 vítimas de estupro e estupro de vulnerável em 2025 — queda de 5,4% em relação a 2024. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública faz uma ressalva importante: a diminuição dos registros não significa necessariamente menos violência, já que o crime segue entre os mais subnotificados do país, com muitas vítimas evitando procurar a polícia.
Mulheres, crianças e adolescentes seguem como principais alvos
Em todo o Brasil, mulheres representam 87,8% das vítimas — foram 74.083 casos só entre elas em 2025. Em Mato Grosso, o número de vítimas mulheres caiu de 2.358 para 2.060 (-14%), mas a taxa permanece entre as mais altas do país: 106,5 vítimas para cada 100 mil mulheres.
O recorte etário reforça a gravidade do problema: 77% de todos os registros nacionais foram classificados como estupro de vulnerável — crimes contra menores de 14 anos ou pessoas incapazes de consentir. Foram 64.990 casos no país, sendo que 42,5% das vítimas tinham entre 10 e 13 anos e 21,9%, entre 5 e 9 anos. A maioria dos casos (64,9%) aconteceu dentro de casa, e 59,2% dos agressores eram familiares da vítima.
Já entre homens e meninos, que somam 12,2% das vítimas no país, o Fórum destaca que o estigma social torna a subnotificação ainda maior.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública reforça que a queda nos registros — tanto em Mato Grosso quanto no Brasil — precisa ser interpretada com cautela, já que menos boletins de ocorrência não significam necessariamente menos violência. Fortalecer a rede de proteção, ampliar canais de denúncia e garantir atendimento humanizado às vítimas seguem como medidas centrais para enfrentar um crime que atinge, sobretudo, mulheres, crianças e adolescentes — realidade da qual Sinop segue sendo um dos retratos mais críticos do país.
Fonte; gcnoticias