Zanin dá última chance para localizar fazendeiro de MT suspeito de pagar R$ 7,4 milhões por sentenças
Bernardo Mazzutti ainda não foi notificado no processo da Operação Sisamnes; STF autorizou citação por edital caso nova tentativa de localização falhe
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, autorizou a citação por edital do produtor rural Bernardo Mazzutti, de Barra do Garças, investigado por suposto envolvimento em um esquema de comercialização de decisões judiciais. Antes da medida, porém, o magistrado determinou uma nova tentativa para localizar o empresário.
A decisão foi proferida em 1º de outubro. Segundo o despacho, Mazzutti é o único denunciado no processo que ainda não recebeu notificação formal. Zanin ressaltou a necessidade de dar andamento ao caso e autorizou o procedimento por edital se as diligências para encontrá-lo novamente não tiverem êxito.
Esse tipo de citação é utilizado quando a Justiça não consegue localizar pessoalmente uma pessoa para comunicar oficialmente a existência de um processo. A medida permite que o procedimento judicial avance conforme as regras legais aplicáveis.
De acordo com as investigações da Operação Sisamnes, conduzida pela Polícia Federal, Mazzutti seria um dos supostos interessados nas decisões negociadas e teria desembolsado R$ 7,4 milhões para obter decisões favoráveis em uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Mato Grosso. A suspeita integra a apuração sobre um esquema de venda de sentenças no Judiciário.
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As investigações ganharam força após a análise de dados extraídos do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá, em dezembro de 2023. O crime ocorreu em meio a uma disputa judicial relacionada à posse de terras no Estado.
O assassinato também resultou em condenações na Justiça de Mato Grosso. Antônio Gomes da Silva, apontado como autor dos disparos, recebeu pena de 21 anos e 10 meses de prisão. Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de intermediar a execução, foi condenado a 25 anos, enquanto o coronel reformado do Exército Etevaldo Caçadini recebeu pena de 21 anos e 10 meses.
Caçadini foi apontado como responsável pela articulação logística do homicídio e associado ao grupo denominado “Comando C4”, descrito nas investigações como paramilitar. Em decisões relacionadas à Operação Sisamnes, Zanin já havia manifestado preocupação com a gravidade do caso e com o potencial de violência atribuído ao grupo.
Fonte: folhadoestado