Grande Incêndio atinge floresta no entorno de Manaus e expõe hipocrisia da classe artística

A Polícia Civil investiga a origem do incêndio, e os bombeiros relataram indícios de ação humana na área atingida

Grande Incêndio atinge floresta no entorno de Manaus e expõe hipocrisia da classe artística

Foto: Reprodução

Um incêndio de grandes proporções consumiu cerca de 700 hectares de vegetação em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, enquanto o Amazonas enfrenta uma escalada das queimadas que volta a colocar sob pressão a política ambiental do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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As chamas atingiram uma extensa área às margens da AM-070 e obrigaram o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas a manter uma operação durante a noite e a madrugada. Foram mobilizados 35 bombeiros e 15 viaturas, com utilização de mais de 150 mil litros de água. A Polícia Civil investiga a origem do incêndio, e os bombeiros relataram indícios de ação humana na área atingida.

 

O episódio, porém, está longe de ser um caso isolado. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas entre 1º e 22 de setembro, contra 942 no mesmo período de 2025. É uma alta de 244% em apenas um ano.

 

A situação levou a fumaça até Manaus. A capital amazonense registrou forte deterioração da qualidade do ar e chegou a apresentar concentração de material particulado fino de 291 microgramas por metro cúbico. A prefeitura colocou a cidade em estado de atenção.

 

O avanço das queimadas também provocou reação institucional. O Ministério Público de Contas do Amazonas encaminhou representação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedindo que seja avaliada a suficiência das medidas adotadas para prevenção e combate aos incêndios.

 

Os números colocam novamente o governo Lula diante de uma questão que marcou fortemente o debate político durante a administração de Jair Bolsonaro.

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Em 2024, já sob Lula, o Brasil registrou 278.299 focos de queimadas e incêndios, aumento de 46,5% sobre 2023, considerando todos os biomas. Na Amazônia Legal, foram aproximadamente 145,5 mil focos em 2023 e 141,3 mil em 2024. Para efeito de comparação, foram 125 mil em 2020, 146,4 mil em 2021 e 104,8 mil em 2022.

 

No Amazonas, a comparação também chama atenção. O estado contabilizou 21.217 focos em 2022, último ano de Bolsonaro. Em 2023 foram 19.601, mas em 2024 o número saltou para 25.499, superando o patamar de 2022. Em 2025 houve forte recuo, para 4.545 focos. Agora, setembro de 2026 volta a apresentar aceleração expressiva.

 

É justamente nesse ponto que surge outro componente político do debate: a diferença na mobilização de parte do meio artístico.

 

Em agosto de 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro, nomes como Caetano Veloso, Elza Soares, Taís Araújo, Luísa Sonza, Luan Santana e Leandra Leal fizeram manifestações públicas sobre as queimadas. Em 2021, uma campanha coletiva reuniu 31 artistas, entre eles Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Daniela Mercury, Iza, Nando Reis e Péricles, em um manifesto artístico em defesa da Amazônia e crítico à política ambiental daquele governo.

 

Agora, apesar da explosão de focos no Amazonas e da fumaça sobre Manaus, não se observa até o momento uma mobilização coletiva de proporção semelhante. Há manifestações individuais, mas o contraste com as campanhas organizadas dos anos Bolsonaro alimenta questionamentos sobre uma possível seletividade política na repercussão ambiental.

 

A discussão também alcança a proximidade do atual governo com o setor cultural. A Lei Rouanet voltou a movimentar volumes elevados de incentivo durante o governo Lula. Em 2024, projetos culturais executados utilizaram cerca de R$ 2,8 bilhões em recursos provenientes de renúncia fiscal. O mecanismo não representa pagamento direto do governo a artistas, mas permite a captação de patrocínios mediante incentivos tributários.

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O contraste político permanece: a Amazônia, que mobilizou artistas, campanhas e manifestações contundentes durante o governo anterior, enfrenta novamente uma escalada do fogo. Desta vez, sob Lula, a reação coletiva de grandes nomes do meio artístico não alcançou, até agora, dimensão comparável.

 

Enquanto a discussão avança, os números deixam uma realidade concreta: centenas de hectares atingidos em Iranduba, fumaça sobre Manaus e crescimento de 244% dos focos de queimadas no Amazonas neste mês.

Fonte: folhadoestado

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