ESCOLA DO CAMPO PASSA POR GRANDE TRANSFORMAÇÃO EM GUARANTÃ DO NORTE
Reforma da Escola Municipal do Campo Boa Esperança, na comunidade Santa Luzia, prevê quadra revitalizada, acessibilidade, novo refeitório, cozinha climatizada, drenagem, muro e melhorias no pátio.

A Escola Municipal do Campo Boa Esperança, localizada na comunidade Santa Luzia, em Guarantã do Norte, está passando por uma ampla transformação. A reforma pretende mudar completamente a estrutura da unidade e, segundo a administração municipal, fazer da escola uma referência para a educação do campo no município e também em Mato Grosso.
Os trabalhos já estão em andamento e incluem intervenções na drenagem, construção do muro e adequações em diferentes espaços da unidade. A proposta é eliminar problemas antigos enfrentados principalmente durante os períodos de chuva e estiagem, como lama e poeira no pátio, além de oferecer uma estrutura mais segura e adequada às crianças.
Entre as principais melhorias previstas estão o fechamento e a revitalização completa da quadra esportiva, que receberá pintura, novos equipamentos e alambrado. O projeto também contempla acessibilidade, ampliação do refeitório, construção de uma nova cozinha climatizada, jardinagem e melhorias no pátio, onde serão implantadas brincadeiras lúdicas no piso para utilização durante os intervalos e atividades pedagógicas.
A engenheira civil Ana Lúcia, responsável por apresentar detalhes técnicos da obra, destacou que a intenção é mudar completamente a estrutura da Escola Boa Esperança, oferecendo melhores condições para alunos, professores e demais profissionais.
Projeto Nova Chance
Um dos diferenciais da reforma é a utilização da mão de obra de reeducandos por meio do Projeto Nova Chance, iniciativa voltada à ressocialização de pessoas privadas de liberdade.
O diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Peixoto de Azevedo, Manoy, esteve na escola acompanhado de uma equipe para conversar com pais de alunos e esclarecer dúvidas relacionadas à participação dos reeducandos na obra.
Segundo ele, os trabalhadores não são escolhidos de forma aleatória. Há um processo de avaliação que considera a conduta e o perfil de cada interno, além do cumprimento dos requisitos legais. Os selecionados passam por avaliações envolvendo equipe laboral, assistência social, psicologia e núcleo de inteligência.
Durante a execução dos serviços, os reeducandos permanecem monitorados e acompanhados por agentes responsáveis pela segurança.
Além disso, os participantes possuem capacitação profissional em diferentes áreas. Na obra são aproveitados conhecimentos em serviços como elétrica, hidráulica, assentamento de pisos e construção civil.
Ressocialização e economia
A parceria também possibilita reduzir os custos das obras públicas. Com uma mão de obra qualificada disponível por meio do sistema penitenciário, o município consegue direcionar os recursos economizados para outras melhorias e ampliar a quantidade de serviços executados.
Conforme explicado durante a visita, os reeducandos recebem remuneração pelo trabalho dentro das regras previstas para o programa. Parte dos recursos pode ser destinada às famílias e outra parte mantida conforme os critérios estabelecidos pelo sistema.
A aproximação com a Fundação Nova Chance ocorreu após conversas envolvendo o desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e o promotor de Justiça Marcelo Mantovani Beato, de Guarantã do Norte.
O projeto já participa de outras iniciativas no município. Um dos exemplos citados é o Centro do Autista, cuja obra também contou integralmente com mão de obra vinculada ao Nova Chance.
Escola para as próximas gerações
A expectativa da administração municipal é que, após a conclusão, a Escola Boa Esperança deixe para trás estruturas improvisadas e passe a oferecer aos estudantes do campo um espaço moderno, acessível e seguro.
A proposta é que a transformação beneficie não apenas os alunos que atualmente frequentam a unidade, mas também as próximas gerações da comunidade Santa Luzia.
Com a reforma, a Escola Municipal do Campo Boa Esperança deverá se tornar um modelo de infraestrutura para outras unidades rurais de Guarantã do Norte, aliando investimento em educação, valorização da população do campo, ressocialização e melhor aproveitamento dos recursos públicos.